quinta-feira, 8 de março de 2012

Livro 55 - Fashion Marketing - Relação da moda com o mercado - Gloria Kalil


Livro 55 - Fashion Marketing - Relação da moda com o mercado - Gloria Kalil

Gloria Kalil é mais do que a "dona" do site Chic e consultora de etiqueta que aparece no Fantástico. Com uma longa experiência na moda, como empresária nos anos 80, onde trouxe a Fiorucci, marca italiana famosa por seu logo de anjinhos, para o Brasil. Com a falência da marca, na Itália, ela encarou, de 1993 a 1995 a marca Jeigikei. Desde esse ano, investiu na carreira de consultora de moda e negócios, além de seu trabalho como jornalista em várias mídias, inclusive como autora de vários livros de estilo e comportamento.

Porque toda essa introdução para Glorinha, como é chamada? Para mostrar que seu trabalha vai muito além de dizer que tipo de calça é adequada para que tipo de corpo, o que usar num casamento de dia, como se portar numa festa de empresa e por ai vai, esclarecendo as dúvidas do povo.

Com sua larga experiência e com o apoio do Senac, em 2006 ela organizou o seminário Fashion Marketing, para discutir as diretrizes da moda brasileira - qual é sua identidade, moda brasileira brilha mas não vende, a criatividade da moda, e muito mais.

Como ela mesma falou, moda não é sonho. É indústria.

Este livro reune palestras de 3 anos do evento - 2006, 2007 e 2008, onde participantes como Carlos Miele, Karim Rashid, Paulo Borges, Sarah Lerfel, Alexandre Herchcovitch, Ermenegildo Zegna, Tufi Duek, entre outros profissionais da moda, tanto brasileiros quanto estrangeiros se reuniram para discutir essa indústria de moda.

Acho fundamental para todos que querem saber mais sobre a relação moda X mercado, e, para finalizar, deixo as próprias palavras da autora por aqui:

http://chic.ig.com.br/materias/357001-357500/357202/357202_1.html

terça-feira, 6 de março de 2012

Livro 54 - Marina - Carlos Ruiz Zafón


Livro 54 - Marina - Carlos Ruiz Zafón

Gosto de começar falando primeiro do autor, acho que ajuda a entender melhor um pouco de sua obra. Vamos lá. Carlos Ruiz Zafón é espanhol, nascido em 1964 em Barcelona, e praticamente fez da cidade personagem de seus livros.

Em 1993 ganhou o prêmio Ebedé de literatura com seu primeiro romance, O Príncipe da Névoa.

Apesar de Barcelona ser personagem de seus livros, ele atualmente vive em Los Angeles, trabalhando como roteirista de TV, e também como correspondente de alguns jornais espanhóis.

Carlos Ruiz consegue fazer uma história de suspense que nos prende do começo ao fm de Marina.

Tudo começa com Óscar, um garoto interno num colégio, que, num intervalo e outro, tem o hábito de sair do internato e passear pelos bairros próximos, com, em sua maioria, casarões abandonados. Em um desses casarões, ele encontra um gato, e resolve seguir o mesmo. Achando que o casarão é mais um casarão abandonado, ele se surpreende ao chegar perto e ouvir música vinda da casa. Nessa história toda, ele se assusta com a presença do morador e acaba levando um relógio, que estava olhando, quando o morador se aproxima dele.

Após dias de medo e incerteza, Óscar resolve voltar à casa para devolver o relógio ao seu dono, e conhece Marina, a filha de Germán.

A partir daí, os dois se envolvem em uma aventura, que, em princípio, era somente algo ingênuo e sem maiores interesses, com desdobramentos e personagens que os dois nem sonhavam em conhecer e se envolver, transformando toda a história em um suspense mágico que nos prende ao livro, atiçando nossa curiosidade.

Finalizo aqui com uma frase de uma crítica do USA Today:

"O talento visionário de Zafón para contar histórias é um gênero literário em si."

segunda-feira, 5 de março de 2012

Livro 53 - Fazendo as Malas - Danuza Leão


Livro 53 - Fazendo as Malas - Danuza Leão

Viajar - deslocamento de uma pessoa, por motivo específico, entre dois pontos determinados (origem e destino), utilizando, para isso, um ou mais modos de transporte. Utilizada para trabalho ou para visitar parentes, ou por diversão (turismo), e também as guerras, que faziam com que pessoas se deslocassem com objetivos definidos - defesa de território, conquistas de terras e até mesmo comércio.

Através da Revolução Industrial, as viagens de turismo aumentaram de número, devido à nova tecnologia. Em 1840 Thomas Cook promovo o primeiro "pacote turistíco", não fazendo muito sucesso, mas abrindo portas para um novo negócio - as agências de turismo.

Bom, logo após essa breve "introdução", vamos à autora, Danuza Leão. Para mim, Danuza é um mito, amo de paixão, além de ter (momento estou me sentindo) em comum com ela a paixão por táxi. Nada mais prático - quer ir embora, chama um táxi e pronto. Ela fala que não faz cruzeiro por causa disso - e se der vontade de ir embora?

Danuza tem experiência em viagens, já morou em Paris, trabalhando como modelo, e pegou o gosto por colocar o pé na estrada.

Neste livro, o que seria uma simples insônia virou roteiro de viagem. Sevilha.. e porque não Lisboa, que é tão perto? Ah, já que vou para Lisboa, para Paris é um pulo... E assim se organiza sua viagem à Europa.

A partir desse mote, Danuza vai contando suas peripécias, como seu hábito de levar "poucas coisas" - mas o seu conceito de pouco, confessa ela, é exagerado, e também dicas de passeios, hotéis e restaurantes de cada lugar - nada óbvios, diga-se de passagem.

E lá se vai Danuza, com 3 malas cheias, passeando pela Europa, onde se sentiu uma própria espanhola em Sevilha, e em casa em Paris, onde o dono do café da rua do hotel onde sempre se hospeda a recebe com um "já de volta, madame! Seja bem vinda". E corre o mundo atrás de novas emoções. Afinal, como ela cita:

"Voyager c'est prende un chemin sans jamais savoir où on va" - viajar é otmar um caminho sem saber aonde ele vai nos levar.




http://pt.wikipedia.org/wiki/Turismo

domingo, 4 de março de 2012

Livro 52 - Cultura e Dança em Mato Grosso - Beleni Salete Grando



Livro 52 - Cultura e Dança em Mato Grosso - Beleni Salete Grando

Beleni, que tive o prazer de conhecer, juntamente com seu marido, o artista plástico Claudyo Casares, é professora de Educação Física e doutora em Educação. Coordena o COEDUC - Núcleo de Estudos sobre o Corpo, Educação e Cultura, na Universidade de Mato Grosso - UNEMAT. Lá, desenvolve suas pesquisas sobre a cultura popular e o folclore mato-grossense, incorporando-as à práticas pedagógicas.

Vamos lá. Cultura popular é toda manifestação manifestação cultural (dança,  música, festas, literatura, folclore, arte, etc.) em que o povo produz e participa de forma ativa, sendo resultado de uma fusão entre pessoas de várias regiões, e sendo transmitidas de geração em geração.

Nesse livro, Beleni reune trabalhos de alunos do curso de Pedagogia da Unemat - Cáceres, a partir de pesquisas realizadas na disciplina Educação Física II.

Na cultura popular, a música e a dança possuem um papel importante. Através desta disciplina, os acadêmicos estudaram danças e festas típicas da região de Cáceres, valorizando não só o aprendizado, mas também a vivência dos mesmos, em contato com a realidade de seu município e comunidade.

As cidades que foram objeto de estudo são Cáceres, Lambari d'Oeste, Glória d'Oeste, Porto Esperidião, Rio Branco e Araputanga, cada um com suas danças e festas regionais, como Siriri, Cururu, Folia de Reias, Catira, Curussé, Rasqueado, São Gonçalo e Dança Cabocla.

Percebe-se claramente a influência da colonização paulista e também da influência externas - como dos indios Bororo e dos Chiquititos bolivianos.

Esse livro não é só recomendado para quem quer estudar e conhecer um pouco mais sobre Mato Grosso  e região, mas também para reconhecer a influência e a importância das manifestações culturais para a construção de nossa identidades.

Livro 51 - La Llorona - Marcela Serrano


Livro 51 - La Llorona - Marcela Serrano

Para mim, Marcela faz parte da alcatéia de Clarissa Pinkola Estés (autora de Mulheres que Correm com os Lobos). Clarissa fala dos mitos e arquéticos da "mulher selvagem".

Vamos conhecer um pouco da autora:

Marcela Serrano é chilena, nascida em 1951. Estudou Belas Artes na Universidade Católica do Chile, trabalhando no ambiente acadêmico e artístico, não só pela faculdade que cursou, mas também por causa de seus pais - o ensaista Horacio Serrano e a novelista Elisa Pérez Walker, que escrevia sob o pseudônimo de Elisa Serrana. Trabalhava com vários tipos de artes visuais. Com o golpe no Chile, se exilou em Roma, com seu primeiro marido.

Marcela se considera uma escritora tardia, pois começou a escrever aos 38 anos, sendo publicada aos 40.

La llorona é uma das mais famosas lendas mexicanas, embora haja relatos em toda a América latina sobre o mesmo "tema". No Brasil, é conhecida como a "mulher de branco". Na Venezuela, é chamada de "la sayona", e no México, como já dito, de "la llorona", sendo esta a versão mais antiga. É apontada como a deusa Cihuacóati, que, durante a conquista do México, gritava: "meus filhos! Onde os levarei, para não perdê-los?". No folclore hispânico, é considerada a alma penada de uma mulher que afogou seus filhos.

A protagonista, conhecida somente por "ela", teve seu bebê em um hospital, mas deixaram a criança internada. A criança morre, sem corpo para enterrar, sem nada. Simplesmente com a desculpa que não havia ninguém lá para reclamar o corpo, o hospital alega que teve que cremar o corpo. O que realmente aconteceu? A chorona é assassina ou salvadora?

Através de teias invisíveis, ela vai se unindo a outras mulheres, algumas na mesma situação, outras, como a advogada Olívia e a enfermeira Elvira, para ajudá-las a reescrever suas historias - talvez com final feliz, outras não, mas pelo menos com um desfecho.

Deixo um trecho de uma crítica de Arturo Pérez-Reverte, novelista e jornalista espanhol:

"Seus romances são sábios e lucidamente femininos. Ler Marcela Serrano é como entrar nos olhos de todas as mulheres do mundo."

Livro 50 - Apenas uma Mulher - D. H. Lawrence


Livro 50 - Apenas uma Mulher - D. H. Lawrence

Bom, apesar do atraso, por problemas de conexão de internet, vamos falar do livro 50, de 01/03 - Apenas uma Mulher.

Para começo, vamos ver a biografia do autor:

David Herber Lawrence, inglês, nascido em 1885, pertence à escola Modernista - que convergia literatura, artes plásticas, designe e inclusive a organização social. Essa escola queria "apagar" tudo o que era antigo, e substituir pelo novo, argumentando que a nova realidade do século XX era eminente e permanente, por issopessoas deveriam se adaptar a suas visões de mundo a fim de aceitar que o que era novo era também bom e belo.

Devido à isso, sua obra foi considerada avançada, abordando temas como sexualidade e as relações humanas.

Apesar de várias críticas a seus livros, sua obra é importante porque retrata bem uma era influenciada por Freud e por Nietzsche.

Seu livro mais famoso é O Amante de Lady Chatterley, publicado em 1928. Para uma crítica mais profunda: http://resumos.netsaber.com.br/ver_resumo_c_46385.html.

Bom, conhecendo um pouco o autor, a Escola onde pertencia e o teor principal de sua obra, vemos que Apenas uma Mulher entra bem nesse histórico de temas como sexualidade e relações humanas. As mulheres de Lawrence são decisivas para a existência dos homens, de forma positiva ou não.

Banford e March são duas mulheres que vivem em uma propriedade rural no interior da Inglaterra. Juntas, trabalham e tentam sobreviver do lucro da granja, isoladas e independentes de homens. Uma bastava à outra. O autor não explicita uma relação homossexual entre elas, mas nem precisa. Suas personalidades se completavam, sendo que a natureza nervosa de Banford encontrava segurança na força calma de March.

Em um inverno, um jovem soldado aparece de repente na proprieda, alegando que morara ali anos antes com seus avô. Banford o recebeu como a um irmão mais novo. March, cautelosa, mas inquieta com a presença do soldado. Ele percebe isso em March e resolve que quer se casar com ela, e fazê-la "apenas sua mulher" - "...Queria que ela se rendesse a ele, e adormecesse seu espírito independente. Queria tirar dela todo esforço, tudo que parecia sua razão de ser. Queria fazê-la submeter-se, entregar-se, dispensar cegamente toda a sua parte consciente. Queria retirar dela o consciente, e fazer dela apenas a sua mulher. Apenas a sua mulher." (página 102)

Tirem suas próprias conclusões... vou me abster de fazer polêmicas, mais do que a obra do autor já causou e causa.

Esse livro foi escrito em 1923, com o título original de The Fox, e lançado em filme pela Warner Brothers em 1967. Para quem quiser mais informações sobre o filme, deixo o link do Imdb:
http://www.imdb.com/title/tt0062990/

quinta-feira, 1 de março de 2012

Livro 49 - A Via Crucis do Corpo - Clarice Lispector


Livro 49 - A Via Crucis do Corpo - Clarice Lispector

Sou suspeita de falar de Clarice, porque sou mega fã, mas vamos lá. Esse livro foi lançado em 1974, após um telefonema do poeta Álvares Pacheco, na época editor de Clarice na editora Artenova. Em princípio Clarice recusou fazer 3 contos por encomenda, dizendo que não sabia escrever assim. Mas durante o próprio telefonema, sentiu a inspiração crescendo - e no outro dia 3 contos já estavam prontos: Mis Algrave, O Corpo e Via Crucis. Acabou fazendo mais alguns, e lançando este livro, onde o corpo é o protagonista, em todas as suas formas.

Clarice confessa, na "Explicação", que se surpreendeu com esse trabalha, e fala que, se há indecência nos contos, a culpa não é dela. Tanto ficou consternada que não queria nem que seus filhos lessem seu trabalho, por vergonha. Queria lançar os contos com pseudônimo mas seu editor disse que se ela não tinha liberdade de escrever o que quiser, o que seria de seu trabalho? Clarice acatou.

Acho que, de longe, esse é um dos seus melhores trabalhos. Clarice nua e crua, fazendo o corpo protagonista de suas histórias, mesmo quando disseram que esse trabalho não era literatura, era lixo: "concordo. Mas há hora para tudo. Há também a hora do lixo."

Como fala a professora Ana Maria Chiara, na orelha do livro: Aceite o desafio e enfrente o desconcerto, caro leitor. A literatura de Clarice tem força."