quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012
Livro 48 - O Melhor do Romance, Contos e Crônicas - Nelson Rodrigues
Livro 48 - O Melhor do Romance, Contos e Crônicas - Nelson Rodrigues
Nelson Rodrigues começou como jornalista, como o pai, Mário Rodrigues, no jornal do mesmo. Nascido em Recife, foi para o Rio de Janeiro com 2 anos de idade. E lá, na Zona Norte, foi seu grande laboratório.
Esse livro foi um presente da Folha, e traz textos de 8 livros de Nelson, entre contos, trechos de livros, inclusive seu livro de memórias e crônicas de futebol. Numa das crônicas, Nelson chama, pela primeira vez, Pelé de "rei" - isso em 1958. Futebol era uma de suas paixões.
Nelson começou a escrever peças na década de 1940, se tornando um dos maiores dramaturgos do país. A curiosidade é que ele começou a escrever num período de vacas magras, achando que era uma boa forma de ganhar dinheiro.
Suas obras, Realistas, num período Modernista, causavam estranheza - principalmente entre os moralistas. Como cita Ruy Castro na Apresentação desse livro, até as pessoas que gostavam de Nelson, como o poeta Manuel Bandeira, estranhavam seus personagens, e perguntava para ele quando ele ia escrever sobre "pessoas normais". Nelson respondia: "Mas, meu querido Bandeira, eu escrevo sobre pessoas como você ou eu!".
Nelson mostrava a natureza humana como ninguém, em minha humilde opinião. Ele é fundamento. Escrevia sobre pessoas normais com desejos e fantasias inconfessáveis. Apesar de tudo, Nelson teve o reconhecimento que merecia antes de morrer, tendo inclusive, peças e contos transformados em série na Rede Globo - Engraçadinha e A Vida como Ela é.....
Como falei, Nelson é fundamento. Esse livro é um pequeno aperitivo do que nos espera sua obra. E, pode acreditar, ele abre o apetite por mais.
terça-feira, 28 de fevereiro de 2012
Livro 47 - Os Meninos Verdes - Cora Coralina
Livro 47 - Os Meninos Verdes - Cora Coralina
Cora Coralina, a Aninha feia da Cidade de Goiás, que começou a escrever aos 14 anos, mas por culpa dos percalços da vida, só lançou seus livros, escritos por suas mãos de doceira, aos 76 anos.
Um dos "culpados" por seu sucesso foi o poeta Carlos Drummond de Andrade: no Jornal do Brasil, a 27 de dezembro de 1980, o poeta dá seu recado: "Não estou fazendo comercial de editora, em época de festas. A obra foi publicada pela Universidade Federal de Goiás. Se há livros comovedores, este é um deles.", sobre o livro Poemas dos becos de Goiás e estórias mais.
Cora lançou 8 livros, sendo 3 deles infantis, e Os Meninos Verdes é um deles.
O livro conta o nascimento dos meninos verdes, em 2 plantas do jardim da Casa Velha da Ponte. Os meninos foram descobertos pelo seu Vicente, jardineiro da Casa. Como lidar com eles? Como lidar com o novo, com o diferente? Nesse livro, que Cora "conta" para seus netos o acontecido, aprendemos isso - vovó Cora decide cuidar dos meninos. A postura sem preconceito e compromissada de vovó Cora em relação à estranha realidade nos ensina a encarar com naturalidade situações inusitadas, a respeitar diferenças e a agir com responsabilidade e consciência.
segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012
Livro 46 - As Leis - Connie Palmen
Livro 46 - As Leis - Connie Palmen
Marie é uma estudante de Filosofia. Durante sete anos, ela conhece sete homens diferentes. O astrólogo, o epilético, o filósofo, o padre, o físico, o artista, o psiquiatra.
Cada homem revela algo para Marie, e através disso ela se revela e se descobre, através das leis que movem suas vidas - idéias, auto conhecimento, feminino e masculino.
Vencedor do European Novel of the Year Award, em seu lançamento, em 1992.
Simplesmente divino - ou filosófico, se preferirem. Não ganhou prêmio à toa, o livro é maravilhoso.
Recomendo.
domingo, 26 de fevereiro de 2012
Livro 45 - Muito Louco - Benjamin Lebert
Livro 45 - Muito Louco - Benjamin Lebert
Benjamin - Benni - é alemão. Nasceu com paralisia unilateral, que afeta o lado esquerdo de seu corpo. Isso fez com que tivesse dificuldades na escola, o que levou seus pais a matricularem Benni num colégio interno.
Lá ele conhece 5 amigos, e com eles ele vive as aventuras e desventuras de ser um adolescente, os problemas de crescimento, maturidade, garotas. Tudo entremeado com diálogos filosóficos e indagações sobre Deus e o que é a vida. Tudo muito Crazy - tudo muito louco.
O autor escreveu este livro quando tinha 16 anos, mais ou menos na época do colégio interno mesmo, mas o livro só foi lançado quando ele tinha 18 anos. Hoje, ele escreve para o suplemento de jovens adultos do Süddeutsche Zeitungo, o principal jornal de Munique, além de ter lançado mais livros e feito o roteiro adaptado do seu livro para o cinema.
Muito Louco - ou a vida não tão secreta dos jovens - mostra o que, acredito eu, a maioria dos pais não veem. Ou não querem ver. Tudo muito crazy, mesmo....
sábado, 25 de fevereiro de 2012
Livro 44 - Bubos no Paraíso - David Brooks
Livro 44 - Bubos no Paraíso - David Brooks
Antigamente era fácil distinguir os burgueses dos boêmios. A separação era clara, tanto em posicionamento quando nos lugares onde os grupos frequentavam (ou não). Isso tudo acabou. Dionísio, o deus do abandono, se "harmonizou" com Prometeu, o deus do trabalho.
Bubos não tem cozinha, tem um laboratório de experimentações. Não tem carro, tem utilitarios 4x4 onde o máximo que a tração nas quatro rodas vai ser usada é em alguma rua mais esburacada. Não trabalham em empresas tradicionais, onde o "Homem Organizacional" prevalece - mas, sim, em empresas moderninhas, onde não há "hierarquias" definidas - chefias horizontais - e onde se trabalha inclusive finais de semana - por prazer.
Essa é a nova "classe alta", classe que está regendo e modificando status sociais e consequencias culturas nessa nova era de informação onde vivemos.
Mas sinceramente? É tudo muito muito chato. Tudo passa pelo racional e pelo sofrimento da experiência. As regras são tão "soltas" que seu efeito é o contrário. Como cita o autor, as crianças não são mais tratadas com palmadas e com uma dura disciplina, mas ao mesmo tempo não são mais livres - pulam de atividade para outra atividade, sempre regulada e estipulada por um adulto. É um paradoxo. Ao mesmo tempo que os bubos rejeitam regras dos burgueses, criam outras regras mais duras ainda.
Serão os bubos os novos reacionários?
sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012
Livro 43 - Alabama Song - Gilles Leroy
Livro 43 - Alabama Song - Gilles Leroy
Gilles Leroy é jornalista e escritor francês. Com Alabama Song, ele ganhou o prêmio Goncourt, em 2007, a mais importante premiação na França.
Zelda e F. S. Fiztgerald foram "o" casal nos anos 20. Incensados e badalados, viveram de maneira intensa toda a década, década esta que foi impar na história. Fosse em Nova York, Paris ou em alguma casa alugada em alguma cidade da Côte D'Azur, festas e badalação, junto com álcool, faziam parte da vida deles.
Em Alabama Song Gilles escreve os acontecimentos da vida do casal através da voz de Zelda. Mesmo que obra de ficção, é um soco no estômago ver "o outro lado" da história do casal, ver como Zelda poderia se sentir perante a vida que levavam. Suas possíveis dores e sofrimentos.
Confesso que acredito que Gilles tenha dado voz não a uma obra de ficção somente, mas lançado luz sobre a vida dessa mulher que viveu ao lado de um ícone da literatura. Me fez pensar se realmente Zelda não se sentia do jeito que o autor escreve, se não era tratada, nos hospitais psiquiátricos, do jeito que Alabama Song supõe que era... uma mulher que, de filha do Juiz da cidade, a Rainha do Sul, não passou a ser só uma sombra espoliada ao lado do marido, perdida na imensidão e na intensidade da vida que levaram....
quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012
Livro 42 - Ou isto ou aquilo - Cecília Meireles
Livro 42 - Ou isto ou aquilo - Cecília Meireles
Cecília Meireles faz parte da minha vida - conheci sua obra através de minha avó. Ou isto ou aquilo foi um livro que ganhei quando tinha 8 anos de idade, e reencontrei o mesmo perdido na estante.
Cecília nasceu em 1901, no Rio de Janeiro. Foi educadora, trabalhando como professora desde que se formou na "Escola Normal do Rio de Janeiro", em 1917. Ela ajudou a crirar a primeira biblioteca infantil do país. Além disso, sempre valorizou a cultura brasileira, como pode ser vista em sua obra sobre a Inconfidência Mineira, por exemplo.
Ou isto ou aquilo é mais que um livro de poesia para crianças. É um livro com ritmo, musicalidade, vocabulário. O poema que dá nome ao livro reflete, por exemplo, uma série de oposições, representando bem o universo infantil, que ela, como educadora, conhecia muito bem.~
Seus poemas não ficam restritos à leitura infantil. Serve para encantar e relembrar "crianças" de todas as idades.
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